Estudo inédito expõe disparidades na distribuição de talentos
Um levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa em Inovação (IPI) revelou que 68% dos profissionais brasileiros considerados de alto desempenho em áreas estratégicas — como tecnologia da informação, biotecnologia e artes digitais — estão concentrados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, analisou dados de 2025 e 2026, mapeando mais de 50 mil talentos.
Coordenado pela professora Ana Lúcia Torres, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o estudo utilizou critérios como publicações científicas, prêmios, patentes e reconhecimento internacional. Os resultados indicam que, enquanto o Sudeste possui 18,3 talentos por 100 mil habitantes, o Norte registra apenas 2,1 e o Nordeste, 3,8.
“A concentração é histórica, mas vem se agravando com a falta de investimentos em infraestrutura e educação nessas regiões”, afirma Torres. Ela destaca que a migração de jovens promissores para o eixo Rio-São Paulo em busca de oportunidades é um dos principais fatores.
Empresas como Microsoft e Natura já patrocinam programas de interiorização de talentos, mas o impacto ainda é limitado. O ministro da Ciência e Tecnologia, Carlos Ribeiro, anunciou um pacote de R$ 2 bilhões para descentralização de centros de pesquisa, com foco na Amazônia e no semiárido.
Para a economista Renata Faria, da FGV, o desafio é reter talentos. “Não adianta apenas formar; é preciso oferecer carreira e qualidade de vida”, diz. A pesquisa completa está disponível no site do IPI e será tema de um seminário em Brasília no próximo mês.