Movimento Surpreende Espectadores e Autoridades
Na manhã desta quarta-feira, dezenas de atores ocuparam praças, estações de metrô e calçadas movimentadas em uma ação coordenada que durou exatamente 47 minutos. Sem aviso prévio, eles encenaram trechos de clássicos do teatro nacional, misturados com improvisos que criticavam o desmonte das políticas culturais.
Em São Paulo, a Praça da Sé foi palco de uma versão de “O Pagador de Promessas” que terminou com os atores deitados no chão, imóveis, como símbolo da morte da cultura. No Rio, artistas na Cinelândia declamaram trechos de “O Auto da Compadecida” enquanto seguravam cartazes com os dizeres “A cultura não pode parar”.
A ação foi organizada pelo Fórum Nacional de Artistas, que em nota afirmou: “Não somos marionetes. Se o governo não nos ouve, faremos o povo ouvir através da arte”. A Polícia Militar acompanhou os eventos sem interferir, mas registrou ocorrência de perturbação do sossego.
O movimento, apelidado de “Rebelião Silenciosa”, foi planejado em sigilo por grupos de WhatsApp e não teve lideranças públicas. Atores consagrados como Fernanda Montenegro e Tony Ramos manifestaram apoio, mas não participaram diretamente. A classe artística enfrenta cortes de 40% nos recursos federais para a cultura, e a pauta inclui ainda a defesa da Lei Rouanet e dos editais estaduais.
Público e crítica reagiram com surpresa e emoção. A comerciante Maria Aparecida, que assistiu à performance na Sé, disse: “Nunca vi teatro tão perto. Me emocionei”. Especialistas apontam que a ação pode marcar uma nova fase de protestos artísticos no país.