Atores da nova geração abrem o jogo sobre os desafios da profissão
Uma pesquisa inédita realizada com 500 atores em início de carreira revelou que 70% deles enfrentam problemas de ansiedade e estresse relacionados à instabilidade profissional. O levantamento, conduzido pela Associação de Artistas Cênicos (AAC), entrevistou profissionais de teatro, cinema e streaming entre janeiro e maio de 2026.
Entre os principais fatores apontados estão a pressão por resultados imediatos, a comparação constante nas redes sociais e a falta de suporte psicológico nas produções. ‘O mercado exige que estejamos sempre disponíveis e perfeitos, mas ninguém pergunta como estamos por dentro’, desabafa a atriz Laura Mendes, 28 anos, que recentemente estrelou uma série na plataforma Stream+.
O psicólogo clínico Dr. Ricardo Almeida, especialista em saúde mental de artistas, destaca a importância de políticas de acolhimento. ‘As produtoras precisam oferecer suporte psicológico desde os testes até o pós-produção. A saúde mental não pode ser vista como custo, mas como investimento na qualidade do trabalho’, afirma.
A pesquisa também mostrou que 45% dos atores já pensaram em desistir da carreira por conta do estresse. No entanto, iniciativas como o grupo ‘Atores em Rede’, que promove encontros semanais de apoio, têm ajudado a reverter esse quadro. ‘Compartilhar experiências e saber que não estamos sozinhos faz toda a diferença’, completa o ator Pedro Santos, 32 anos.
A AAC planeja lançar em agosto um guia de boas práticas para a saúde mental no setor, incluindo recomendações para produtoras e agências. A expectativa é que o documento seja adotado como referência no mercado audiovisual brasileiro.