Operação Desmantela Império Digital
Na manhã desta terça-feira, a Polícia Civil deflagrou a Operação Falso Milagre, que resultou na prisão do influenciador digital Lucas Mendes, conhecido como ‘Lucky Money‘. Ele é acusado de liderar um esquema de pirâmide financeira que movimentou mais de R$ 50 milhões nos últimos dois anos. A ação ocorreu em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
De acordo com as investigações, Lucas usava sua popularidade nas redes sociais — com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram — para atrair vítimas com promessas de rendimentos de até 10% ao mês. Os investidores eram convidados a aplicar valores que variavam de R$ 500 a R$ 100 mil, recebendo inicialmente pequenos retornos para gerar confiança. O esquema operava há pelo menos 18 meses, mas começou a ruir quando os pagamentos foram suspensos abruptamente em abril.
A delegada Ana Paula Costa, responsável pelo caso, afirmou que a maioria das vítimas são jovens entre 20 e 35 anos, muitos deles seguidores do influenciador. ‘Ele se apresentava como um guru financeiro, fazia lives exibindo carros de luxo e viagens, criando uma falsa sensação de sucesso. Na verdade, era uma clássica pirâmide, onde os novos investidores pagavam os antigos’, explicou a delegada.
Entre os bens apreendidos estão três carros de luxo — uma Porsche, uma Lamborghini e um Mercedes-Benz —, além de joias, relógios e documentos que serão analisados. O influenciador também possuía contas em paraísos fiscais e criptomoedas não declaradas. A polícia acredita que o esquema tenha prejudicado mais de 200 pessoas em todo o Brasil.
Lucas Mendes foi encaminhado para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, em Bangu, onde aguardará julgamento. Ele responderá pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A defesa do influenciador ainda não se manifestou.
O caso reacende o alerta para os riscos de investimentos promovidos por influenciadores digitais. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) reforça que nenhum investimento legal garante retornos tão altos em curto prazo e orienta os consumidores a desconfiarem de promessas milagrosas. ‘Se parece bom demais para ser verdade, provavelmente não é’, alertou o presidente da CVM, Marcelo Santos.